Dinheiro e Negócios

A ascensão e a consolidação das criptomoedas no sistema financeiro global

Fonte(s): Folha de S.Paulo, PagSeguro, InfoMoney, Veja 7 leituras
A ascensão e a consolidação das criptomoedas no sistema financeiro global
Crypto.com

As criptomoedas se consolidaram como ativos digitais descentralizados que operam de forma independente de governos ou bancos centrais, utilizando a tecnologia blockchain como base. Criadas em meio à crise financeira de 2008, essas moedas virtuais funcionam como um grande livro contábil digital, onde todas as transações são registradas de forma pública e imutável. Diferente do dinheiro fiduciário convencional, como o real ou o dólar, os criptoativos não possuem representação física e dependem de criptografia avançada para garantir a segurança e a validação das operações sem a necessidade de intermediários financeiros.

O Bitcoin permanece como a principal referência do setor, sendo o primeiro sistema de pagamentos global totalmente descentralizado. Sua valorização e escassez são influenciadas por eventos como o halving, um ajuste automático que ocorre a cada quatro anos e reduz pela metade a recompensa pela mineração de novos blocos, limitando a oferta da moeda no mercado. Paralelamente, a rede Ethereum se destaca por permitir a criação de novos tokens e contratos inteligentes, servindo de infraestrutura para milhões de outras moedas digitais que pagam taxas em Ether para processar suas operações.

A diversidade do mercado vai além das moedas de pagamento, abrangendo os chamados criptoativos, que incluem tokens de utilidade, stablecoins lastreadas em ativos reais e NFTs. Tecnicamente, toda criptomoeda funciona como um token dentro de sua respectiva rede, como explicam especialistas como o professor Rafael Nasser, da PUC-Rio. Embora a estrutura tecnológica seja considerada segura, o setor ainda enfrenta desafios relacionados a fraudes e golpes, o que demanda cautela dos investidores na escolha de corretoras e fundos de investimento regulados.

A ascensão e a consolidação das criptomoedas no sistema financeiro global
Sarson Funds

No Brasil, a regulamentação avança com diretrizes claras da Receita Federal para a declaração desses ativos no Imposto de Renda. Os contribuintes devem utilizar o grupo específico para criptoativos, classificando-os em códigos que diferenciam o Bitcoin de outras altcoins, como Litecoin e Ripple, além de categorias para stablecoins e ativos não fungíveis. Essa organização fiscal reflete a tentativa do Estado de monitorar o fluxo de capital e garantir que os ganhos de capital sejam tributados conforme as normas vigentes, tratando o ativo digital como parte integrante do patrimônio do cidadão.

O impacto econômico das criptomoedas é marcado por uma volatilidade extrema, influenciada por fatores macroeconômicos e pela crescente adoção institucional. Segundo Samir Kerbage, executivo da Hashdex, o cenário atual de pressão vendedora ou ciclos de alta muitas vezes reflete disputas econômicas globais e a busca por alternativas ao sistema financeiro tradicional. A entrada de grandes instituições e a ampliação de horários de negociação em bolsas, como a B3, sinalizam que esses ativos estão deixando de ser apenas especulativos para se tornarem peças-chave na nova arquitetura tecnológica das finanças mundiais.

Os próximos passos para o setor envolvem o amadurecimento das legislações internacionais e a integração cada vez maior da tokenização de ativos reais com a economia tradicional. A expectativa é que o uso de contratos inteligentes e moedas digitais reguladas facilite transações internacionais e reduza custos operacionais. No entanto, o investidor deve permanecer atento aos ciclos de mercado e às incertezas geopolíticas, que continuam sendo os principais motores das oscilações de preço no curto e médio prazo.

Compartilhar

Relacionadas