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Conflitos internacionais e crise de fertilizantes pressionam economia e inflam inflação no Brasil

Fonte(s): Gazeta do Povo, Folha de S.Paulo, UOL, InfoMoney 5 leituras
Conflitos internacionais e crise de fertilizantes pressionam economia e inflam inflação no Brasil
Americas Quarterly

A escalada do conflito no Irã e a suspensão temporária das exportações de fertilizantes pela Rússia colocam a economia brasileira em um cenário de incerteza, pressionando a inflação e ameaçando setores estratégicos como o agronegócio. O impacto direto nas exportações de carne halal e a volatilidade nos preços do petróleo forçaram o governo federal a anunciar a suspensão de impostos federais sobre combustíveis, visando conter a alta nas bombas. Enquanto o Produto Interno Bruto registra uma desaceleração, fechando 2025 com alta de 2,3% — a menor taxa em cinco anos —, o país tenta equilibrar a manutenção do consumo das famílias com a necessidade de controle fiscal diante de um cenário global instável.

O desdobramento da crise no Oriente Médio reflete diretamente nos indicadores internos e nas projeções da equipe econômica. O Ministério da Fazenda estima que uma guerra prolongada pode elevar tanto o PIB quanto a inflação, com um choque temporário adicionando cerca de 0,10 ponto percentual ao crescimento, mas sob o custo de preços de energia mais elevados. Internamente, o consumo das famílias ficou estagnado no segundo semestre de 2025 e o investimento produtivo apresentou queda, sinalizando uma fadiga no ritmo de recuperação. Esse quadro é agravado pelo salto na inadimplência, que agora atinge quase metade da população adulta do país, refletindo o peso dos juros e do elevado custo de vida no orçamento doméstico.

No campo político, o cenário é de rearranjos partidários e decisões judiciais que movimentam a capital. O senador Sergio Moro filiou-se ao Partido Liberal com o objetivo de disputar o governo do Paraná, movimento que gerou tensões internas na legenda e críticas do parlamentar à legitimidade das eleições de 2022. Paralelamente, a situação jurídica do ex-presidente Jair Bolsonaro avança para uma transição; após melhora em um quadro de pneumonia que o manteve internado, a expectativa é de que ele passe para o regime de prisão domiciliar temporária em Brasília, motivada por orientações de saúde. Essas movimentações ocorrem em meio a um debate acirrado no Congresso sobre a atuação do Supremo Tribunal Federal, com quase 200 deputados questionando decisões que restringem opiniões em redes sociais e o cerco a perfis digitais.

Conflitos internacionais e crise de fertilizantes pressionam economia e inflam inflação no Brasil
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Apesar das incertezas, a arrecadação federal apresentou sinais de resiliência, crescendo 5,68% em fevereiro e batendo recorde para o mês. O Imposto sobre Operações Financeiras foi um dos destaques, com uma arrecadação de 8,696 bilhões de reais, o que representa uma alta real de 35,73% em termos anuais. No entanto, o governo revisou o Orçamento para acomodar maiores gastos previdenciários e royalties, enquanto o dólar mantém uma trajetória de valorização, sendo comercializado na casa dos 5,25 reais. No setor de infraestrutura, o leilão do aeroporto do Galeão atrai o interesse de grandes operadoras internacionais, indicando que ativos específicos ainda mantêm atratividade para o capital externo mesmo diante da turbulência financeira.

Para o cidadão comum, o impacto prático dessas crises se manifesta no aumento do custo dos alimentos e na incerteza sobre o acesso ao crédito. A alta na inflação de alimentos, impulsionada pelos custos de produção e pela logística internacional, afeta diretamente o poder de compra, enquanto as taxas de juros permanecem em patamares elevados para conter a pressão inflacionária. O Banco Central indicou que o ciclo de ajuste da taxa Selic dependerá de novas informações sobre a evolução da guerra e seus efeitos sobre o petróleo. Na área social, o Ministério da Educação aponta que o Brasil atingiu a marca de 66% de crianças alfabetizadas, mas o país ainda enfrenta desafios estruturais, como as discussões sobre o fim da escala de trabalho 6x1 e a proteção de adolescentes em plataformas digitais.

Os próximos passos da economia brasileira dependem da estabilização geopolítica e das próximas reuniões de política monetária. O Comitê de Política Monetária deve incorporar os novos dados de conflito em suas futuras atas, o que definirá a trajetória dos juros nos próximos meses. No Legislativo, o adiamento de decisões sobre ordens judiciais e a pressão por novos subsídios ao diesel em substituição à renúncia de tributos estaduais prometem manter a agenda política carregada. A atenção também se volta para a COP30 em Belém, onde as negociações sobre financiamento climático colocarão o Brasil novamente no centro do debate ambiental global, enquanto o governo estuda utilizar fundos soberanos para auxiliar setores diretamente afetados pela instabilidade externa.

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