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Crise do petróleo e guerra no Irã pressionam economia brasileira e governo libera saque do FGTS para dívidas

Fonte(s): Folha de S.Paulo, UOL, InfoMoney, Veja 2 leituras
Crise do petróleo e guerra no Irã pressionam economia brasileira e governo libera saque do FGTS para dívidas
S&P Global

O governo federal autorizou que trabalhadores brasileiros saquem até 20% do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para o pagamento de dívidas, em uma tentativa de mitigar o impacto da escalada nos preços dos combustíveis e da inflação. O cenário econômico nacional enfrenta forte pressão após o diesel registrar alta de 13,9% em março, o maior avanço para o mês desde 2002, conforme dados do IBGE. O movimento é impulsionado pela guerra envolvendo o Irã, que restringiu o fluxo de petróleo pelo Estreito de Hormuz e gerou um choque de oferta global com reflexos diretos na cadeia de suprimentos brasileira, especialmente no preço dos alimentos.

A crise no Golfo Pérsico mantém o escoamento de commodities sob constante incerteza, apesar de um recente acordo de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã ter permitido a retomada da circulação de superpetroleiros chineses pela região. Segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a liberação de parte do FGTS busca dar fôlego financeiro às famílias em um momento de juros elevados e endividamento crescente. No Banco Central, o diretor de Política Monetária, Gabriel Galípolo, avalia que o patamar atual das taxas de juros no Brasil decorre de razões mais estruturais do que conjunturais, o que dificulta reduções imediatas enquanto persistirem os choques externos.

A deterioração econômica reflete-se na percepção popular sobre a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que atualmente registra 40% de avaliação negativa frente a 29% de aprovação. Projeções eleitorais indicam que o atual mandatário enfrenta um cenário de competitividade acirrada contra nomes da oposição, como os governadores Ronaldo Caiado e Romeu Zema, que aparecem empatados com o presidente em eventuais disputas de segundo turno. Enquanto isso, o governo trabalha com uma projeção de salário mínimo de R$ 1.717 para 2027, ao mesmo tempo em que a ministra do Planejamento, Simone Tebet, alerta para a necessidade de um ajuste fiscal rigoroso no mesmo período para garantir a sustentabilidade das contas públicas.

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Farm Progress

No âmbito institucional, o governo busca consolidar apoios para a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), contando com o respaldo público do ministro Gilmar Mendes. A articulação ocorre em meio a um clima de tensão entre os poderes, com setores da direita no Senado articulando pedidos de impeachment contra magistrados da Corte. Paralelamente, o sistema judiciário lida com novos episódios de violência, como o recente ataque do novo cangaço a uma agência bancária no interior de Minas Gerais, e com debates sobre a regulação de veículos elétricos no Rio de Janeiro, onde um decreto municipal sobre o emplacamento de bicicletas elétricas entrou em conflito com as normas federais.

Diante do cenário de incerteza global, a matriz energética nacional apresenta variações localizadas, com o etanol mostrando-se mais competitivo que a gasolina em seis estados brasileiros. No campo social e educacional, o Ministério da Educação estabeleceu novos programas de bolsas para indígenas na pós-graduação e dados do Inep apontam que estudantes cotistas têm apresentado desempenho superior na conclusão do ensino superior. Em destaque internacional, estudantes brasileiras como Isabelle Lemos, aprovada para cursar engenharia aeroespacial em Stanford, reforçam o potencial da pesquisa científica nacional voltada ao impacto social.

Os próximos meses serão decisivos para a estabilização dos preços internos, dependendo diretamente da manutenção da reabertura do Estreito de Hormuz e da capacidade do Federal Reserve americano em reduzir os juros, o que aliviaria a pressão sobre o dólar. O governo monitora a insolvência de empresas pressionadas pelo crédito caro e foca na aprovação de medidas que garantam a arrecadação, que já atingiu a marca de 32,4% do PIB, o maior nível da série histórica. A continuidade dos diálogos no Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre a agenda climática e os conflitos no Oriente Médio deve pautar a política externa e econômica brasileira no curto prazo.

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