O laboratório Cristália apresentou em São Paulo um medicamento brasileiro inédito, chamado polilaminina, capaz de regenerar a medula espinhal e reverter quadros de paraplegia e tetraplegia. Desenvolvido ao longo de 25 anos pela pesquisadora Tatiana Coelho de Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o fármaco utiliza uma proteína extraída da placenta humana para restabelecer os movimentos de pacientes que sofreram rupturas medulares em acidentes. Durante a fase experimental, voluntários apresentaram recuperação total de seus quadros, retomando rotinas sem restrições ou sequelas significativas.
A substância atua no sistema nervoso por meio da proteína laminina, que possui propriedades reparadoras e multiplicadoras de células. O tratamento consiste na aplicação direta na coluna vertebral, visando a regeneração do órgão rompido. Segundo Tatiana Coelho de Sampaio, o acúmulo de dados e a comprovação da eficácia em oito voluntários, que recuperaram movimentos parcial ou totalmente, fundamentaram a decisão de divulgar a pesquisa. A pesquisadora destaca que a responsabilidade de apresentar um medicamento com esse potencial exigiu cautela, mas que os resultados atuais tornam a divulgação necessária para o avanço da medicina regenerativa nacional.
Paralelamente ao avanço no tratamento de lesões medulares, o Brasil avança na consolidação de sua soberania sanitária com a vacina SpiN-TEC, o primeiro imunizante contra a covid-19 totalmente desenvolvido no país. O projeto, que já publicou resultados positivos de segurança em artigos científicos, entrou na fase final de estudos clínicos. A tecnologia nacional utiliza uma estratégia de imunidade celular, preparando o sistema imunológico para identificar e eliminar apenas as células infectadas, o que demonstrou maior eficácia contra variantes do vírus em testes preliminares com animais e humanos.
O desenvolvimento dessas inovações conta com suporte governamental e acadêmico significativo. No caso da SpiN-TEC, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação investiu cerca de 140 milhões de reais em todas as etapas, desde os ensaios pré-clínicos até as fases clínicas avançadas. Esse investimento reflete um esforço estruturado para reduzir a dependência tecnológica externa e fortalecer a rede de pesquisa nacional, envolvendo instituições de ponta e centros de biociências em polos como Rio de Janeiro e Campinas.
O cenário de avanços científicos ocorre em um momento em que o Brasil atinge a marca de 575.930 médicos em atividade, o equivalente a 2,81 profissionais para cada mil habitantes. No entanto, o Conselho Federal de Medicina alerta que o aumento numérico não é suficiente sem uma rede assistencial robusta focada na atenção primária. Conforme explica o supervisor Donizetti Giamberardino, a preocupação central deve ser a formação contínua desses profissionais, garantindo que o aprendizado acompanhe as inovações tecnológicas e as crescentes demandas do sistema público e privado de saúde.
A expectativa para os próximos anos é que as novas tecnologias médicas alcancem a aplicação em larga escala na rede hospitalar. A vacina SpiN-TEC tem previsão de estar disponível para a população no início de 2027, enquanto os próximos passos da polilaminina envolvem a expansão dos testes clínicos e o processo de regulamentação para uso comercial. A consolidação desses projetos representa um marco para a ciência brasileira, prometendo alterar o prognóstico de condições antes consideradas irreversíveis e fortalecer a resposta do país a desafios globais de saúde.