Ciência e Espaço

Inteligência artificial impulsiona avanços históricos na ciência e redefine fronteiras da medicina

Fonte(s): Valor Econômico, BBC News Brasil, G1, Poder360 3 leituras
Inteligência artificial impulsiona avanços históricos na ciência e redefine fronteiras da medicina
Human Progress

A ciência vive um período de transformações aceleradas, impulsionadas pela integração massiva da inteligência artificial nas pesquisas de ponta. Em 2024, marcos significativos como o mapeamento completo do cérebro de uma mosca, composto por 130 mil neurônios e 50 milhões de conexões, representam saltos fundamentais para a compreensão dos mecanismos do pensamento humano. O pesquisador Gregory Jefferis, do Conselho Nacional de Pesquisas Médicas de Cambridge, afirma que essa cartografia extraordinária permite entender como os sinais fluem pelo sistema para processar informações sensoriais e traduzi-las em impulsos elétricos. Além da neurociência, a tecnologia permitiu descobertas arqueológicas surpreendentes, como a identificação de 300 novos geoglifos nas Linhas de Nazca, no Peru, evidenciando o papel da ferramenta como motor de exploração multidisciplinar.

A biologia molecular também atingiu um patamar histórico com o desenvolvimento do programa AlphaFold, premiado com o Nobel em 2024. A ferramenta determinou a estrutura tridimensional de praticamente todas as 200 milhões de proteínas conhecidas, resolvendo um desafio científico que perdurava por cinco décadas. Essa evolução facilita a concepção de novos medicamentos e tratamentos de forma mais célere e precisa. Demis Hassabis e John Jumper, responsáveis pelo modelo de inteligência artificial, e o pesquisador David Baker, que construiu novos tipos de proteínas, estabeleceram as bases para uma medicina mais eficiente, que passará a ter acesso gratuito a esses dados a partir de 2025 para o desenvolvimento farmacêutico em larga escala.

Enquanto o cenário global avança, o Brasil enfrenta desafios estruturais no financiamento da pesquisa e inovação tecnológica. Entidades científicas como a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência alertam que o país investe pouco mais de 1% do seu Produto Interno Bruto em pesquisa e desenvolvimento, metade da média de 2% registrada por países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico. Em contraste, nações reconhecidamente inovadoras, como Coreia do Sul e Israel, destinam mais de 4% do PIB à área. No âmbito nacional, a disputa pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico gerou mobilizações intensas após o contingenciamento de bilhões de reais, mesmo com legislações que proíbem o bloqueio desses recursos estratégicos para a superação de crises sanitárias e econômicas.

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Mind the Graph

No campo da oncologia, o progresso no entendimento biológico tem aberto frentes promissoras, especialmente no tratamento de tumores cerebrais, que registram cerca de 11 mil novos casos anuais no Brasil. O médico oncologista Fernando Maluf destaca que, embora a cirurgia, a radioterapia e a quimioterapia sigam como pilares tradicionais, o avanço no conhecimento genético das doenças permite hoje terapias cada vez mais específicas e personalizadas. A conscientização sobre sintomas precoces, como alterações cognitivas, dores de cabeça persistentes e convulsões, é apontada como crucial para o sucesso dessas novas intervenções médicas, que buscam elevar as taxas de sobrevivência e a qualidade de vida dos pacientes diante de desafios diagnósticos complexos.

A trajetória da ciência contemporânea reforça que grandes transformações nascem da coragem de questionar dogmas e explorar o inesperado, como ocorreu historicamente com a descoberta da penicilina e a teoria da relatividade. Para o professor Francisco Herrera Triguero, da Universidade de Granada, o futuro imediato em 2025 exige não apenas avanços técnicos, mas uma regulamentação robusta que garanta o equilíbrio entre inovação e responsabilidade. O cenário global de manufatura avançada e soberania tecnológica, que envolve desde robótica a tecnologias quânticas, pressiona governos a priorizar plataformas digitais estratégicas para manter a competitividade internacional e garantir que o progresso científico se traduza em benefícios reais e seguros para a sociedade.

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