Bem-estar e Saúde

Um bilhão de pessoas enfrentam transtornos mentais em meio a déficit global de investimentos

Fonte(s): CNN Brasil, GloboPlay, Brasil Escola, Vogue, Glamour 3 leituras
Um bilhão de pessoas enfrentam transtornos mentais em meio a déficit global de investimentos
Jack Kent Cooke Foundation

Mais de um bilhão de pessoas convivem atualmente com transtornos mentais em todo o mundo, um cenário que coloca a transformação dos serviços de saúde como um dos desafios mais urgentes da saúde pública global. Dados publicados no Atlas de Saúde Mental 2024, da Organização Mundial da Saúde (OMS), revelam que a maioria dessa população não recebe os cuidados adequados, evidenciando uma lacuna crítica entre a necessidade de tratamento e a oferta de serviços. Segundo o diretor-geral da organização, Tedros Adhanom Ghebreyesus, o investimento na área deve ser tratado pelos governos como um direito básico e um pilar para o desenvolvimento das comunidades e economias, superando a visão de que o suporte psicológico seja um privilégio.

Os transtornos de ansiedade e depressão são os mais prevalentes, afetando indivíduos de todas as faixas etárias e níveis de renda, sendo hoje a segunda maior causa de incapacidade a longo prazo. Apesar do impacto direto na qualidade de vida e na produtividade, os países ainda destinam, em média, apenas 2% de seus orçamentos de saúde para o setor. Essa subutilização de recursos agrava o estigma e dificulta o combate às causas profundas dos problemas psíquicos, que exigem uma colaboração multissetorial para expandir o acesso ao tratamento especializado e garantir investimentos sustentados ao longo do tempo.

Entre os grupos mais vulneráveis, os adolescentes representam uma parcela significativa dessa crise, com cerca de 14% dos jovens vivendo com algum transtorno mental. O cenário foi agravado pela pandemia de covid-19, que provocou um aumento de mais de 25% nos casos de depressão e ansiedade logo no primeiro ano da crise sanitária, além de estudos indicarem que pacientes que contraíram a doença desenvolveram posteriormente condições mentais. Fatores como injustiças sociais, vulnerabilidade econômica e a falta de perspectivas futuras atuam como gatilhos para o adoecimento juvenil. Especialistas destacam que a proteção da saúde mental desta faixa etária é essencial para a própria sobrevivência da sociedade, uma vez que o desenvolvimento humano pleno depende de condições que permitam a manutenção da esperança.

Um bilhão de pessoas enfrentam transtornos mentais em meio a déficit global de investimentos
Philadelphia FIGHT

A interconexão entre o bem-estar emocional e o corpo físico é corroborada por evidências científicas que mostram como o estresse e a depressão interferem diretamente nas funções orgânicas. De acordo com o neurologista do comportamento Alexandre Ghelman, a resiliência surge como a capacidade do indivíduo de resistir a esses impactos, mas o histórico genético familiar também desempenha um papel na prevenção de doenças. Embora a genética responda por uma parcela menor em condições como o câncer, o estilo de vida e o equilíbrio mental são determinantes para a saúde integral, exigindo uma investigação precoce de sintomas para que o tratamento seja iniciado o quanto antes.

O impacto da saúde mental estende-se inclusive a setores de alto rendimento, como o esporte olímpico. As campeãs Duda Lisboa e Ana Patrícia ressaltaram, após a conquista do ouro em Paris, como a pressão física e mental constante coloca o atleta em um estado de vulnerabilidade extrema. A necessidade de pausas estratégicas e o cuidado com o psicológico tornaram-se pautas centrais para atletas de elite, que agora buscam compartilhar suas experiências para desmistificar o sofrimento mental no ambiente competitivo. Esse movimento reflete uma tendência de maior conscientização sobre a importância de equilibrar a performance com o suporte emocional.

Para enfrentar essa crise global, a OMS defende que a priorização da saúde mental deve ser rigorosa e contínua, visando a redução de disparidades no acesso ao diagnóstico. O futuro da gestão pública na área depende de decisões políticas que incluam o atendimento a grupos em situação de risco e populações afetadas por emergências sanitárias recentes. A expectativa é que o fortalecimento das redes de apoio e a implementação de políticas públicas fundamentadas em dados científicos possam reverter o quadro de negligência, transformando a assistência psicológica em uma realidade acessível para o bilhão de pessoas que hoje buscam por auxílio.

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