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Bolsa brasileira sofre correção após atingir recorde histórico de 185 mil pontos

Fonte(s): Agência Brasil, G1, UOL, CNN Brasil, InfoMoney 2 leituras
Bolsa brasileira sofre correção após atingir recorde histórico de 185 mil pontos
The Rio Times

A bolsa de valores brasileira registrou uma forte correção nesta quarta-feira (4), encerrando o dia com queda de 2,14%, aos 181.708 pontos. O movimento ocorreu apenas um dia após o índice Ibovespa atingir o recorde histórico de 185.674 pontos. O recuo foi impulsionado principalmente pelas ações do setor bancário e por um movimento de realização de lucros, quando investidores vendem papéis para garantir os ganhos obtidos durante os picos recentes de valorização. O cenário externo também pesou negativamente, com as bolsas norte-americanas sofrendo baixas significativas diante do temor de uma bolha no setor de inteligência artificial.

A escalada que levou ao recorde anterior foi sustentada pela divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). O documento confirmou a intenção do Banco Central de iniciar um ciclo de cortes na taxa Selic na reunião de março, o que aumenta a atratividade da renda variável. Segundo Tatiana Pinheiro, pesquisadora da FGV, a sinalização de juros mais baixos projeta uma perspectiva melhor para o crescimento econômico e para o faturamento das empresas, tornando as ações mais atraentes para o capital nacional e internacional.

O apetite por ativos brasileiros foi reforçado por uma entrada massiva de capital estrangeiro no início de 2026. Somente em janeiro, investidores externos aportaram mais de R$ 26 bilhões na B3, montante próximo ao total registrado em todo o ano de 2025. Bruno Yamashita, analista de alocação e inteligência da Avenue, explica que o mercado internacional tem demonstrado maior disposição ao risco e buscado retorno em mercados emergentes, contexto no qual o Brasil se destaca. Esse fluxo ajudou a sustentar o índice mesmo em dias de volatilidade nas bolsas da Europa e dos Estados Unidos.

Bolsa brasileira sofre correção após atingir recorde histórico de 185 mil pontos
The Rio Times

Apesar do otimismo doméstico, indicadores econômicos dos Estados Unidos trouxeram incerteza ao cenário global. A atividade no setor de serviços estadunidense recuou menos do que o esperado, o que diminuiu as chances de o Federal Reserve reduzir os juros em março. Paralelamente, tensões geopolíticas envolvendo os Estados Unidos, Irã e Rússia provocaram altas nos preços do petróleo e do ouro, este último subindo mais de 6% em uma única sessão. No Brasil, o dólar comercial operou com relativa estabilidade, fechando cotado em torno de R$ 5,25, após ter acumulado uma queda de 4,4% no primeiro mês do ano.

No plano corporativo e institucional, a B3 tem buscado expansão através de parcerias internacionais, como o recente acordo de colaboração técnica e comercial firmado com a bolsa de Hong Kong. O mercado de capitais também observa movimentos de abertura de capital, como o IPO do PicPay na Nasdaq, em Nova York, sob o código PICS. Internamente, o perfil do investidor brasileiro continua em transformação, com um crescimento de 4% no número de mulheres investidoras em 2025 e o mercado de fundos imobiliários alcançando a marca de quase 3 milhões de participantes.

Para os próximos meses, as atenções do mercado financeiro permanecem voltadas para a decisão do Banco Central em março e para as projeções de inflação, que foram revisadas para 3,99% ao ano. Há também expectativa em relação às novas indicações para a diretoria do BC, que aguardam definição pela Presidência da República. Enquanto os indicadores domésticos de emprego e indústria mostram sinais de resiliência, o mercado local de ofertas públicas de ações (IPOs) deve apresentar uma retomada gradual, dependendo da estabilização das taxas de juros e do apetite dos investidores institucionais.

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