O Ibovespa consolidou uma trajetória de recordes históricos em fevereiro de 2026, superando a marca de 187 mil pontos durante o pregão e fechando acima das 185 mil unidades. Esse movimento foi impulsionado pela ata do Comitê de Política Monetária (Copom), que sinalizou novos cortes na taxa básica de juros, tornando o mercado de ações mais atrativo frente à renda fixa. De acordo com a pesquisadora da FGV, Tatiana Pinheiro, a perspectiva de juros menores favorece o crescimento econômico e o faturamento das empresas, o que justifica o apetite por risco. Somente em janeiro, a entrada de capital estrangeiro somou R$ 26 bilhões, montante equivalente a quase todo o volume injetado no país ao longo de 2025.
No detalhe das operações, o desempenho de grandes empresas brasileiras serviu de suporte para a escalada do índice. A Vale registrou forte valorização, superando os 4,9% em sessões recentes, enquanto o setor bancário apresentou resultados mistos durante a temporada de balanços. O Itaú Unibanco reportou lucro líquido recorrente de R$ 12,3 bilhões no quarto trimestre de 2025, um crescimento de 13,2%, o que elevou as expectativas para as projeções de 2026. Por outro lado, o Santander enfrentou reação negativa do mercado após a divulgação de seus números, o que provocou correções pontuais em sessões marcadas por volatilidade.
Apesar do entusiasmo, analistas do Bank of America emitiram um alerta sobre o risco de uma bolha financeira no mercado brasileiro. O índice que monitora essa condição atingiu o patamar de 0,7, aproximando-se do nível crítico de 0,8. Esse receio é alimentado por preocupações com a governança corporativa de novas listagens e a capacidade de fiscalização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Bruno Yamashita, analista da Avenue, explica que o apetite a risco em mercados emergentes como o Brasil é uma busca por retorno em um cenário global incerto, mas a sustentabilidade desses ganhos depende da manutenção de fundamentos sólidos.
O cenário doméstico positivo permitiu que a B3 operasse em descolamento das principais bolsas de Nova York e da Europa em datas específicas. Enquanto o índice Nasdaq e o S&P 500 sofreram quedas influenciadas pelo recuo de gigantes da tecnologia e dúvidas sobre os custos da inteligência artificial, o mercado brasileiro se apoiou em commodities e no setor financeiro. O dólar acompanhou a tendência de maior liquidez local e operou em queda, chegando a ser cotado na casa de R$ 5,22, o que reflete a confiança temporária do investidor internacional nos ativos brasileiros.
A estrutura do mercado de capitais no Brasil também mostra sinais de amadurecimento e diversificação. Em 2025, investidores institucionais movimentaram quase R$ 1 trilhão em ações na B3, enquanto o número de mulheres investidoras cresceu 4%. No âmbito internacional, a estreia do PicPay na Nasdaq, com o ticker PICS, reforça a presença de empresas de tecnologia financeira no exterior. Internamente, a B3 busca expandir sua atuação técnica e comercial por meio de novos acordos com praças financeiras globais, como a bolsa de Hong Kong, visando maior integração internacional.
Para os próximos dias, o mercado aguarda a divulgação dos balanços de outras grandes instituições, como Bradesco e Multiplan, que devem definir o fôlego do Ibovespa para sustentar os ganhos acumulados, que já superam 15% no ano. A atenção dos investidores também se volta para as decisões de política monetária do Banco Central Europeu e do Banco da Inglaterra, que tendem a manter as taxas de juros estáveis. No Brasil, o foco permanece na revisão das projeções corporativas e na capacidade do governo de manter a estabilidade econômica após o encerramento de paralisações pontuais no funcionalismo federal.