As empresas brasileiras aceleram o ritmo de investimentos em tecnologia para sustentar operações cada vez mais complexas e garantir competitividade no mercado global. O setor de computação em nuvem consolidou-se como a espinha dorsal dessa transformação, atingindo a marca de 77% de adoção entre as organizações nacionais em 2024. De acordo com Gustavo Bastos, vice-presidente de Plataformas da TOTVS, esse movimento sinaliza uma mudança de paradigma, em que a nuvem deixou de ser apenas uma ferramenta para redução de custos e passou a ser a infraestrutura estratégica que permite escalabilidade e inovação acelerada nos negócios.
A busca por eficiência e produtividade também impulsionou o uso de tecnologias de ponta, com destaque para a Inteligência Artificial (IA), que viu sua presença dobrar no ambiente corporativo. Dados do IBGE indicam que o uso de IA saltou de 17% em 2022 para quase 42% no primeiro semestre de 2024, impulsionado principalmente pelas ferramentas generativas aplicadas em áreas administrativas, comerciais e de desenvolvimento de projetos. Segundo Flávio Peixoto, gerente de pesquisas temáticas do instituto, o avanço tecnológico é abrangente, com 89% das empresas analisadas utilizando ao menos uma tecnologia digital avançada, como Big Data, Internet das Coisas (IoT) ou robótica.
Apesar do entusiasmo, o processo de digitalização no Brasil ainda enfrenta disparidades entre diferentes setores e portes empresariais. Enquanto áreas como finanças, saúde, varejo e indústria automotiva lideram a automação com sensores e sistemas integrados, cerca de 43% dos proprietários de pequenas empresas iniciaram novos investimentos tecnológicos em 2024 para tentar reduzir gargalos operacionais. Por outro lado, levantamentos da CNI revelam que a maioria das firmas ainda se encontra em estágios iniciais de maturidade digital, com apenas 5% das companhias conseguindo conjugar simultaneamente diversas tecnologias avançadas em seus processos produtivos.
O avanço da infraestrutura tecnológica esbarra em barreiras estruturais que limitam o potencial pleno das inovações. A falta de mão de obra qualificada é apontada por 37% das empresas como o principal obstáculo externo, seguida pela dificuldade em encontrar parceiros tecnológicos adequados e pela ausência de linhas de financiamento específicas. Além das dificuldades técnicas, existe o desafio de equilibrar o progresso tecnológico com a valorização do capital humano. Especialistas defendem que a automação e o uso de grandes volumes de dados devem ser acompanhados por estratégias que priorizem o bem-estar dos colaboradores e evitem a negligência das necessidades humanas em prol de métricas de produtividade.
No cotidiano das operações, o impacto prático dessas tecnologias reflete-se na melhoria da comunicação e na autonomia das equipes, especialmente em modelos de trabalho híbrido ou remoto. A adoção de ferramentas colaborativas e sistemas de gestão de identidades tem reduzido a necessidade de microgerenciamento e aumentado a visibilidade dos processos em tempo real. A cibersegurança também emergiu como prioridade máxima, com empresas buscando soluções integradas que unam proteção de dados e desempenho, visando simplificar operações e mitigar riscos em um ambiente digital cada vez mais hostil.
O cenário futuro para o mercado corporativo brasileiro aponta para uma dependência crescente de governança eficaz e estratégias bem definidas para que os investimentos se convertam em resultados reais. A tendência é que a tecnologia continue nivelando o campo competitivo, permitindo que empresas de diferentes portes inovem com agilidade. No entanto, o sucesso da transformação digital nos próximos anos dependerá da capacidade das organizações em superar o déficit de qualificação profissional e em integrar soluções complexas de manufatura aditiva e análise de dados de forma mais profunda em suas cadeias de valor.