Tecnologia

Empresas brasileiras priorizam produtividade e automação em nova fase de transformação digital

Fonte(s): Valor Econômico, Agência Brasil, Estado de Minas 2 leituras
Empresas brasileiras priorizam produtividade e automação em nova fase de transformação digital
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As empresas brasileiras intensificam os investimentos em transformação digital com foco estratégico na produtividade e na melhoria da experiência do cliente. Dados do Índice de Transformação Digital Brasil 2024, da PwC, indicam que as organizações estão atribuindo maior relevância às inovações para ganhar agilidade e inteligência de dados. Segundo Luciano Ramos, country manager da IDC no Brasil, a prioridade absoluta é a eficiência operacional, seguida pela criação de produtos que integrem os canais físico e digital. Esse movimento é sustentado pela expansão das aplicações em nuvem, que cresceram 27,6% e já são utilizadas por 29% das companhias no país, enquanto os gastos com segurança da informação somam US$ 1,3 bilhão.

O aporte em automação inteligente, que abrange desde robôs de processos até inteligência artificial, alcançou US$ 214 milhões, representando uma alta de 17% em relação aos ciclos anteriores. Andrea Fonseca França, sócia da Bain & Company, observa que as empresas têm buscado fontes de financiamento para digitalização ao mesmo tempo em que reduzem custos em áreas de menor impacto para o negócio. Entre as tecnologias que ganham espaço estão a hiperautomação e o uso de códigos prontos para desenvolvimento rápido de aplicações, o chamado low code. Na indústria, a aceleração das redes privadas 5G surpreende positivamente, com perspectivas de crescimento superiores a 35% no segmento.

A adoção tecnológica é mais acelerada nos setores financeiro, de saúde e varejo, que buscam sistemas robustos para sustentar operações escaláveis. No entanto, um levantamento do IBGE revela que apenas 9,1% das empresas que utilizam tecnologias digitais avançadas, como internet das coisas e robótica, recorrem a programas de apoio governamental. Apesar de 43% dos proprietários de pequenas empresas terem aumentado investimentos em tecnologia para ganhar eficiência em 2024, a maioria das firmas brasileiras ainda se encontra em fase inicial de digitalização. Cerca de 69% das empresas utilizam alguma solução digital, mas a maior parte delas aplica apenas entre uma e três inovações em seus processos.

Empresas brasileiras priorizam produtividade e automação em nova fase de transformação digital
The Brasilians

A gestão empresarial passa por uma mudança estrutural, abandonando processos manuais em favor de softwares avançados e ferramentas de automação que funcionam como o alicerce das operações. A infraestrutura em nuvem e a gestão de identidades tornaram-se essenciais para garantir proteção e visibilidade em tempo real. De acordo com executivos do setor de tecnologia, a demanda por soluções que unam desempenho e redução de riscos é crescente, especialmente após a consolidação do trabalho remoto, que exigiu novas plataformas de comunicação e gestão de projetos para manter a continuidade dos negócios com equipes geograficamente dispersas.

No cenário global, a dominância de grandes provedores de serviços de nuvem, conhecidos como hyperscalers, concentra o controle da infraestrutura que sustenta a inteligência artificial. Esse protagonismo amplia a responsabilidade dessas companhias sobre impactos sociais e econômicos. Relatórios internacionais apontam que, embora existam lacunas de transparência, há um avanço no reconhecimento da inteligência artificial como um risco material. Empresas de tecnologia começam a elevar o uso responsável da IA ao topo das prioridades de sustentabilidade, publicando relatórios de prestação de contas e vinculando a governança algorítmica à agenda de preservação ambiental e direitos digitais.

O sucesso da transformação digital no Brasil ainda enfrenta obstáculos estruturais, como a falta de trabalhadores qualificados, citada por 37% das empresas, e a dificuldade em identificar parceiros tecnológicos adequados. Além disso, a ausência de linhas de financiamento apropriadas e a falta de preparação de fornecedores e clientes limitam o avanço de tecnologias de ponta. Os próximos passos para o mercado corporativo envolvem a consolidação de estratégias de governança que permitam transformar o investimento tecnológico em resultados práticos, superando a fase inicial de adoção para alcançar a plena maturidade digital e competitividade internacional.

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