Ciência e Espaço

O avanço da astronomia moderna e os desafios da ocupação orbital pelas constelações de satélites

Fonte(s): Terra, O Globo, Revista Galileu, Diário de Pernambuco, Globoplay 1 leituras
O avanço da astronomia moderna e os desafios da ocupação orbital pelas constelações de satélites
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A astronomia, ciência milenar dedicada à observação de corpos celestes e fenômenos físico-químicos do universo, enfrenta um desafio sem precedentes que pode inviabilizar a observação do cosmos nas próximas décadas. Um estudo do Observatório Europeu do Sul (ESO) alerta que o aumento exponencial na frota de satélites em órbita compromete o funcionamento de supertelescópios, como o Very Large Telescope (VLT) e o Observatório Vera Rubin. Com planos para o lançamento de até 1,7 milhão de objetos orbitais por empresas como SpaceX e Reflect Orbital, a poluição visual e a luminosidade residual na alta atmosfera ameaçam a sensibilidade dos instrumentos mais sofisticados da atualidade. Atualmente, cerca de dois terços dos satélites em operação pertencem ao sistema Starlink, da SpaceX, que, apesar do tamanho reduzido, apresentam um brilho intenso que interfere nas capturas de imagens. Segundo o astrônomo Olivier Hainaut, mesmo que os operadores consigam evitar a saturação direta dos detectores, a luz difusa gerada por essas constelações de satélites prejudica a precisão das pesquisas científicas. Diante desse cenário, grandes centros de pesquisa pressionam órgãos reguladores, como a Comissão Federal de Comunicações (FCC) dos Estados Unidos, para que projetos de alto impacto sejam barrados ou submetidos a rigorosas medidas de contenção, como a limitação da frota global a 100 mil objetos e a proibição de espelhos orbitais. Essa preocupação com a visibilidade do céu ocorre em um momento em que a ciência colhe os frutos de décadas de exploração espacial, simbolizadas pelo legado do telescópio Hubble. Em seus anos de operação, a colaboração entre a Nasa e a Agência Espacial Europeia (ESA) permitiu calcular com precisão a idade do universo em 13,8 bilhões de anos e confirmar que sua expansão está se acelerando devido à energia escura, força que compõe cerca de 70% do cosmos. O sucesso do Hubble, que registrou imagens icônicas como os Pilares da Criação, abriu caminho para o telescópio James Webb, projetado para ser cem vezes mais poderoso e revolucionar a compreensão sobre as galáxias mais distantes. É fundamental diferenciar esse campo científico da astrologia, que é um conhecimento tradicional baseado na correlação simbólica entre a posição dos astros e eventos humanos. Enquanto a astronomia fundamenta-se estritamente na física e na matemática para entender reações químicas e mecânicas celestes, a astrologia utiliza terminologias próprias, considerando o Sol e a Lua como luminares para fins de interpretação. Exemplo disso é a reclassificação técnica de Plutão pela astronomia, que não impacta a forma como a astrologia trabalha seus símbolos, evidenciando que os dois estudos possuem focos e metodologias distintos. O interesse público pela astronomia reflete-se na popularização de cursos acadêmicos e eventos de divulgação, como o encontro internacional de astronomia e astronáutica em Campos, no Rio de Janeiro, que busca democratizar o conhecimento sobre o universo. Instituições como a Universidade de São Paulo (USP) também oferecem formações sobre as origens da vida no contexto cósmico, explorando as condições para o surgimento de vida em outros planetas. Paralelamente, competições como o prêmio Fotógrafo de Astronomia do Ano, do Observatório Real de Greenwich, premiam registros que unem ciência e arte, como fotografias de eclipses solares anulares e auroras boreais. Para os próximos anos, a coexistência entre o avanço tecnológico das frotas de satélites e a preservação da pesquisa astronômica dependerá de novas regulações internacionais. Astrônomos e pesquisadores defendem que o controle da luminosidade artificial é vital para que a humanidade continue capaz de observar os confins do universo. O desafio será equilibrar a expansão dos serviços de comunicação global com a necessidade de manter o céu limpo para a coleta de dados que sustentam nossa compreensão sobre a matéria escura, a gravidade e a história do cosmos.

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