Bem-estar e Saúde

Sedentarismo atinge quase metade dos adultos no Brasil e amplia riscos para saúde física e mental

Fonte(s): Folha de S.Paulo, CartaCapital, Veja, Brasil Escola 1 leituras
Sedentarismo atinge quase metade dos adultos no Brasil e amplia riscos para saúde física e mental
SciELO - Saúde Pública

Cerca de 47% dos adultos brasileiros vivem hoje em estado de sedentarismo, não atingindo os níveis mínimos de movimentação recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O cenário é ainda mais crítico entre a população jovem, onde o índice de inatividade chega a 84%, colocando o Brasil em uma posição preocupante nos rankings mundiais de saúde. Para evitar o desenvolvimento de doenças crônicas e garantir longevidade, a orientação global estabelece pelo menos 150 minutos de atividade moderada por semana, ou 75 minutos de exercícios intensos, visando o pleno funcionamento do organismo e a prevenção de enfermidades cardiovasculares.

A ausência de movimento regular resulta em consequências fisiológicas diretas, como a perda de força muscular, redução da flexibilidade e o surgimento de dores crônicas em articulações como coluna, quadris e joelhos. Clinicamente, a prática frequente atua na regulação de indicadores vitais: controla os níveis de colesterol, aumenta a secreção de insulina — auxiliando no controle da glicemia e reduzindo riscos de diabetes — e fortalece a parede do coração. Além disso, as células musculares liberam quimiocinas que atuam em diversos órgãos, combatendo o sobrepeso e a obesidade, condições que elevam em até 30% o risco de complicações graves de saúde.

No caso da população idosa, a atividade física torna-se um pilar fundamental para a manutenção da autonomia. Conforme explica o médico e pesquisador Dr. Kertzman, é necessário romper com a percepção de que pessoas acima de 60 anos são frágeis e devem permanecer em repouso. Pelo contrário, o exercício é a principal ferramenta para contornar a sarcopenia — a perda de massa muscular — e prevenir quedas, que são causas frequentes de hospitalização nesta faixa etária. Com o aumento da expectativa de vida no Brasil para 76,8 anos, a adoção de rotinas ativas em modalidades como natação e dança tem se mostrado essencial para garantir que esse envelhecimento ocorra com qualidade e independência.

Sedentarismo atinge quase metade dos adultos no Brasil e amplia riscos para saúde física e mental
Biblioteca Virtual em Saúde - Ministério da Saúde

O impacto da movimentação estende-se de forma profunda à saúde mental e ao equilíbrio emocional. Um estudo realizado com mais de 58 mil adultos brasileiros demonstrou que qualquer nível de exercício, mesmo os mais leves, está associado a menores chances de desenvolvimento de sintomas depressivos. Segundo o Dr. Rodrigo Schettino, a atividade física estimula a liberação de endorfinas e melhora a autoestima, funcionando como um tratamento auxiliar eficaz para ansiedade. Esse benefício é reforçado pelo Dr. José Ricardo Scalise, que define o exercício como uma ferramenta poderosa para o equilíbrio psicológico, capaz de reduzir os níveis de cortisol, o hormônio do estresse, no organismo.

O ambiente de trabalho também reflete a urgência por uma vida menos sedentária, especialmente após o impacto da pandemia e do isolamento social. Dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) indicam que quase metade dos trabalhadores essenciais sofreu com sintomas de ansiedade e depressão no período, muitas vezes agravados pela falta de rotina física e pelo esgotamento profissional, conhecido como Síndrome de Burnout. Estima-se que, até 2030, a depressão será a doença mais comum no país, tornando os cuidados paliativos e preventivos através do esporte uma necessidade de gestão pública para aliviar o sofrimento físico e psíquico da população.

Para reverter esse quadro, especialistas sugerem ajustes simples e graduais no cotidiano, sem a necessidade imediata de treinos de alta performance ou maratonas. Pequenas mudanças, como caminhadas de 20 a 30 minutos em ritmo confortável, a substituição de elevadores por escadas ou exercícios de resistência com elásticos, já promovem benefícios significativos. O foco atual das diretrizes de saúde é transformar a percepção do exercício de uma obrigação estética para uma necessidade biológica, garantindo que a prevenção de doenças e a melhora da disposição diária se tornem prioridades na rotina do cidadão.

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