Bem-estar e Saúde

Atividade física reduz mortalidade e supera eficácia de remédios no combate à depressão

Fonte(s): Folha de S.Paulo, Veja, GZH, Drauzio Varella, O Globo 9 leituras
Atividade física reduz mortalidade e supera eficácia de remédios no combate à depressão
Pandya Medical Center

Evidências científicas recentes confirmam que a prática regular de atividade física, mesmo em pequenas doses diárias, é capaz de elevar a expectativa de vida e proteger órgãos vitais como o coração e o cérebro. De acordo com boletim do Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (ELSA-Brasil), hábitos simples como caminhar 15 minutos por dia, subir escadas ou cuidar do jardim já reduzem significativamente o risco de mortalidade e previnem doenças crônicas como hipertensão e diabetes. O movimento constante está associado a uma menor rigidez das artérias e à melhora de funções cognitivas centrais, incluindo memória, linguagem e atenção, consolidando-se como um pilar fundamental para o envelhecimento saudável.

Essa mudança de comportamento é particularmente relevante diante do novo perfil demográfico brasileiro, onde pessoas com 65 anos ou mais já representam 10,9% da população, totalizando 22,2 milhões de habitantes segundo o Censo 2022 do IBGE. Conforme explica a geriatra Lisa Trevizan de Castro, do Hospital Vera Cruz, a atividade física fortalece o sistema cardiovascular e a musculatura, além de reduzir drasticamente o risco de quedas, um dos principais fatores de preocupação para idosos. Para atender essa demanda, o Ministério da Saúde prevê investimentos de R$ 40 milhões em 2026 no Programa Academia da Saúde, que oferece orientação profissional na rede de atenção primária para devolver mobilidade e independência a essa parcela da população.

No campo da saúde mental, os impactos do exercício físico superam em eficácia muitos tratamentos convencionais. Um estudo da Universidade da Austrália do Sul, publicado no British Journal of Sports Medicine, revela que a atividade física pode ser 1.5 vezes mais eficaz do que medicamentos ou psicoterapia no combate à depressão e ansiedade. Segundo a psiquiatra Bruna Campos, da Universidade Federal Fluminense, o exercício promove mudanças biológicas reais ao liberar neurotransmissores como serotonina, dopamina e noradrenalina, além de reduzir processos inflamatórios no sistema nervoso central. A pesquisadora Carol Maher ressalta que intervenções estruturadas de até 12 semanas já apresentam resultados positivos expressivos na saúde emocional.

Atividade física reduz mortalidade e supera eficácia de remédios no combate à depressão
Healthy Monday

As diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) estabelecem que 150 minutos de atividade moderada a vigorosa por semana reduzem em 25% o risco de morte em um período de cinco anos. No entanto, para o tratamento específico de sintomas depressivos, períodos de 90 minutos semanais divididos em três sessões já demonstram benefícios robustos. Além dos ganhos em bem-estar e autoeficácia, o movimento corporal é apontado como uma estratégia econômica vital, visto que transtornos mentais custam cerca de US$ 2,5 trilhões por ano à economia global, com previsão de chegar a US$ 6 trilhões até o final desta década.

Para o cidadão comum, especialmente mulheres na meia-idade, a inclusão de exercícios aeróbicos, pilates ou musculação na rotina reflete diretamente em ganhos de longevidade e prevenção de infartos e AVCs. A fisioterapeuta Gabriela Prazeres destaca que a atividade física combate o isolamento social comum no envelhecimento, devolvendo ao indivíduo a energia para atividades cotidianas simples. A tendência atual, sustentada por mais de cem artigos científicos revisados, aponta que não há um volume mínimo proibitivo: qualquer movimento é superior ao sedentarismo, e a manutenção do hábito a longo prazo é o que garante a proteção sistêmica do organismo.

Os próximos passos na saúde pública e privada devem focar na expansão de academias com modelos acessíveis e na adaptação de treinos para diferentes fases da vida, como o ciclo menstrual e o envelhecimento avançado. Com a ascensão da geração de superidosos, o foco institucional recai sobre a criação de ambientes urbanos que favoreçam o deslocamento ativo, como praças e parques. A integração do exercício como uma prescrição médica essencial é vista por especialistas como o caminho mais eficiente para aliviar a sobrecarga dos sistemas de saúde e garantir uma sociedade funcional diante do aumento da longevidade global.

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