Bem-estar e Saúde

Saúde mental supera câncer como maior preocupação de saúde para 52% dos brasileiros

Fonte(s): g1, CNN Brasil 2 leituras
Saúde mental supera câncer como maior preocupação de saúde para 52% dos brasileiros
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A saúde mental tornou-se a maior preocupação de saúde para 52% dos brasileiros, ultrapassando doenças como o câncer e o estresse. O dado faz parte de uma pesquisa global realizada pela Ipsos, que aponta um crescimento vertiginoso na percepção do problema, que em 2018 era citado por apenas 18% da população. O Brasil ocupa atualmente a terceira posição no ranking global de preocupação com o bem-estar psicológico, ficando atrás apenas do México e da África do Sul, em um cenário onde 74% dos cidadãos afirmam refletir com frequência sobre sua própria condição mental.

O avanço desse índice no Brasil reflete uma tendência internacional acentuada pelos impactos da pandemia de Covid-19. Segundo o CEO da Ipsos Brasil, Marcos Calliari, a média de preocupação em 30 países pesquisados subiu de 27%, em 2018, para 45% em 2025. No território brasileiro, o câncer aparece como a segunda maior inquietação de saúde, com 37%, seguido pelo estresse, com 33%. O estudo detalha ainda que o tema atinge os gêneros de forma distinta, sendo a prioridade para 60% das mulheres contra 44% dos homens entrevistados.

Especialistas alertam que o reconhecimento da saúde mental como prioridade deve vir acompanhado da capacidade de identificar sinais de agravamento da condição psicológica. De acordo com a especialista Klich, indicadores de que a situação exige atenção urgente incluem o abandono de responsabilidades cotidianas, o uso de substâncias como forma de lidar com a situação, a negligência com a higiene pessoal e o surgimento de sentimentos persistentes de desesperança ou ideação suicida. Casos de psicose, caracterizados por alucinações ou perda de contato com a realidade, representam sinais críticos de que o equilíbrio foi seriamente comprometido.

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A busca por suporte especializado é fundamental para evitar que quadros leves evoluam para crises agudas ou incapacitantes. Profissionais de saúde ressaltam que condições médicas subjacentes podem simular problemas mentais, exigindo diagnósticos precisos para descartar causas estritamente físicas antes de se concluir o diagnóstico psiquiátrico. O tratamento estruturado, que pode envolver o gerenciamento de medicamentos e sessões de terapia com psiquiatras ou psicólogos, é o caminho indicado para evitar interrupções graves na vida profissional e nos relacionamentos pessoais.

O impacto da negligência com a saúde mental pode se tornar uma questão de vida ou morte em casos extremos. Práticas preventivas, como a manutenção de padrões saudáveis de sono e alimentação, pausas programadas no uso de tecnologias e a busca por atividades que confiram propósito à vida, são recomendadas para mitigar o estresse diário. A atenção plena e exercícios respiratórios também são ferramentas de suporte ao bem-estar emocional em um país onde a maioria da população já reconhece a gravidade do tema para a saúde pública.

Diante do cenário atual, a recomendação é a busca precoce por avaliação profissional, o que reduz significativamente as chances de necessidade de hospitalização. O acompanhamento contínuo e a conscientização sobre os sintomas são os próximos passos para lidar com o que especialistas consideram uma crise exacerbada por fatores geracionais e sociais. A expectativa é que o debate sobre o tema continue a pressionar por maior acesso a tratamentos especializados e suporte psicológico adequado para todas as faixas etárias.

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