Bem-estar e Saúde

Atividade física supera medicamentos no tratamento da depressão e é vital para autonomia no envelhecimento

Fonte(s): Folha de S.Paulo, O Globo, Metrópoles, Agência Brasil, CNN Brasil 3 leituras
Atividade física supera medicamentos no tratamento da depressão e é vital para autonomia no envelhecimento
UGA Today

A prática regular de exercícios físicos consolidou-se como um pilar mais eficaz que intervenções farmacológicas tradicionais no combate a transtornos mentais comuns. Um estudo da Universidade da Austrália do Sul, publicado no British Journal of Sports Medicine, revela que a atividade física é 1,5 vezes mais eficiente do que medicamentos ou psicoterapia para reduzir sintomas de depressão, ansiedade e angústia. A análise, que envolveu mais de 128 mil participantes, indica que intervenções de até 12 semanas geram melhoras significativas, independentemente da intensidade, embora exercícios mais vigorosos apresentem impactos superiores na saúde emocional.

Além do benefício mental direto, o movimento corporal atua na regulação biológica imediata. Conforme explica a pesquisadora sênior Carol Maher, professora da UniSA, não é necessário um alto nível de performance para obter resultados positivos, pois a liberação de endorfinas e o aumento da sensação de controle ocorrem mesmo em práticas moderadas. Esse cenário ganha relevância diante dos dados da Organização Mundial da Saúde, que apontam que uma em cada oito pessoas no mundo convive com transtornos mentais, gerando um custo global projetado de US$ 6 trilhões até 2030 devido à perda de produtividade e gastos assistenciais.

No envelhecimento, o exercício torna-se determinante para a manutenção da autonomia e prevenção de quadros clínicos graves. A médica e professora de geriatria Karoline Fiorotti alerta que o sedentarismo acelera a sarcopenia, caracterizada pela perda progressiva de massa e força muscular, o que compromete o equilíbrio e aumenta o risco de quedas e hospitalizações. O corpo do idoso reage rapidamente à inatividade, sendo possível observar declínios na capacidade cardiorrespiratória em poucas semanas. Por outro lado, atividades simples como caminhar, subir degraus ou realizar tarefas domésticas preservam a força muscular e a coordenação necessárias para as tarefas diárias, segundo o professor Raul Oliveira.

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No campo da prevenção estrutural, a atividade física regular é a principal aliada contra dores e lesões na coluna, que afetam cerca de 80% da população mundial em algum momento da vida. Conforme o ortopedista André Evaristo Marcondes, do Hospital Sírio-Libanês, o fortalecimento muscular evita desgastes e limitações funcionais que figuram entre as maiores causas de afastamento do trabalho no Brasil. Além disso, a prática ajuda a mitigar o avanço de doenças crônicas como hipertensão, diabetes tipo 2 e colesterol elevado, funcionando como um mecanismo de controle metabólico contínuo que pode até amenizar o acúmulo de gordura no fígado.

A integração de hábitos saudáveis potencializa os resultados individuais de cada prática. Estudos científicos indicam que a combinação de sono de qualidade, dieta equilibrada e movimento gera benefícios aditivos ao bem-estar físico e emocional. Enquanto a ingestão de vegetais reflete no organismo em poucos dias, o exercício físico melhora o humor de forma imediata. Essa mudança de comportamento é vista como urgente diante de projeções que indicam que 50% das crianças e adolescentes no Brasil terão excesso de peso até 2040, o que sobrecarrega o sistema público de saúde e limita as opções de tratamento para obesidade no SUS.

O futuro da saúde pública e individual reside na incorporação do movimento como uma abordagem essencial e complementar. A ciência aponta que pequenas mudanças na rotina, como a adoção de treinos de resistência, pilates ou ioga, podem reduzir a dependência de tratamentos invasivos e medicamentosos. Com o avanço das pesquisas sobre novas moléculas e o impacto de medidas preventivas, como a vacinação em grupos de risco, a atividade física permanece como a base sustentável para a preservação da memória, do raciocínio e da independência funcional ao longo de todas as etapas da vida.

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