O Brasil registrou um desempenho expressivo no comércio exterior em janeiro de 2026, impulsionado por um crescimento de 13,3% nas exportações de petróleo e pela consolidação de um superávit comercial de US$ 4,3 bilhões. O avanço no setor energético ocorre simultaneamente ao início dos pagamentos do novo salário mínimo de R$ 1.621, que passa a circular na economia em fevereiro, impactando diretamente milhões de aposentados e beneficiários de programas sociais. Enquanto o cenário macroeconômico apresenta indicadores de expansão produtiva, o governo federal busca fortalecer alianças internacionais para garantir o equilíbrio diplomático e comercial diante de novas pressões globais.
De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o volume de petróleo exportado atingiu 10,57 milhões de toneladas, o maior patamar mensal em quase três anos. Esse resultado reflete a entrada em operação de quatro novas plataformas no pré-sal durante o ano de 2025, sendo três operadas pela Petrobras nos campos de Búzios e Mero, e uma pela norueguesa Equinor no campo de Bacalhau. Apesar da alta produtividade, a receita do setor recuou 7,8% no período, totalizando US$ 4,3 bilhões, devido a uma queda de 18,6% no preço internacional da commodity, que foi comercializada a uma média de US$ 407,4 por tonelada.
No campo diplomático, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu o primeiro-ministro da Rússia, Mikhail Mishustin, no Palácio do Itamaraty, para discutir a ampliação da corrente comercial, que movimentou US$ 10,9 bilhões em 2025. Em declaração conjunta, os dois países reforçaram a defesa do multilateralismo e o princípio da não intervenção na América Latina, em um movimento que ocorre em meio a restrições comerciais impostas pelo governo de Donald Trump nos Estados Unidos. O encontro focou na consolidação de uma parceria estratégica para equilibrar a balança comercial russa-brasileira, que atualmente registra um déficit para o Brasil, com US$ 9,4 bilhões em importações frente a US$ 1,5 bilhão em exportações.
Internamente, o reajuste de 6,79% no salário mínimo começa a ser sentido por trabalhadores e Microempreendedores Individuais (MEIs), com o valor fixado em R$ 1.621 influenciando também o seguro-desemprego e o Benefício de Prestação Continuada (BPC). A medida beneficia cerca de 15,5 milhões de famílias inscritas no Cadastro Único. Paralelamente, no âmbito do Judiciário, o ministro Flávio Dino determinou que os Três Poderes suspendam o pagamento de benefícios adicionais, conhecidos como penduricalhos, que haviam sido incluídos no reajuste de servidores, visando manter o controle sobre os gastos públicos e o cumprimento do teto remuneratório.
Apesar dos avanços na produção de petróleo, o setor de energia nuclear enfrenta uma crise financeira aguda. O presidente interino da Eletronuclear, Alexandre Caporal, informou que a estatal possui recursos em caixa apenas até meados de março e corre risco de colapso caso não haja uma solução para o impasse em torno da usina de Angra 3. A empresa pleiteia junto a bancos públicos a suspensão temporária da cobrança de uma dívida de aproximadamente R$ 7 bilhões, aguardando uma definição do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) sobre a continuidade das obras e o futuro da planta nuclear.
No cotidiano da população, as condições climáticas exigem atenção com a intensificação de temporais nas regiões Sudeste e Nordeste, causados por um corredor de umidade que mantém a atmosfera instável. Enquanto o Distrito Federal e Goiás registram temperaturas amenas, o Norte e o Sul do país enfrentam uma onda de calor intenso que deve durar até o fim da semana. Esse cenário de instabilidade climática coincide com um momento de alta no futebol brasileiro, que liderou as transferências globais em janeiro com um gasto de R$ 948 milhões, evidenciando o fluxo de capital no esporte em meio aos desafios de infraestrutura e gestão energética do país.