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Indústria brasileira recua com juros altos e governo enfrenta desafios fiscais e políticos em 2026

Fonte(s): Folha de S.Paulo, E-Investidor Estadão, InfoMoney, Poder360 2 leituras
Indústria brasileira recua com juros altos e governo enfrenta desafios fiscais e políticos em 2026
Valor Econômico - Globo

A produção industrial brasileira encerrou o ano de 2025 em trajetória de queda, registrando uma retração de 1,2% em dezembro, conforme dados divulgados pelo IBGE. O desempenho reflete um cenário macroeconômico de perda de ritmo ao longo dos últimos meses, influenciado diretamente pela manutenção da taxa básica de juros, a Selic, em 15%. Segundo André Macedo, gerente da pesquisa, o ambiente de política monetária restritiva tem freado tanto os investimentos produtivos das empresas quanto o consumo das famílias, estabelecendo um desafio estrutural para o crescimento econômico no início de 2026.

Além do aperto monetário interno, o setor industrial enfrentou pressões externas significativas, como a elevação das tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, que chegaram a 50% em agosto passado. No cenário internacional, o Brasil também encontrou resistências na China, que negou o pedido de redistribuição de cotas remanescentes para a carne bovina brasileira. Esse isolamento comercial parcial soma-se à retração do setor energético, onde grandes companhias como CPFL e CTG Brasil abandonaram o mercado de trading de energia para focar em áreas menos voláteis, citando riscos elevados e a necessidade de priorizar outras frentes de atuação.

No campo fiscal, o governo federal lida com o agravamento de questões orçamentárias e críticas à gestão das contas públicas. O Orçamento de 2026 destina R$ 187 bilhões para crédito direcionado, medida vista por especialistas como um drible no arcabouço fiscal que pode comprometer a produtividade nacional. Simultaneamente, a Câmara dos Deputados aprovou reajustes para servidores que somam um impacto de R$ 4,3 bilhões este ano. Esse cenário de pressão financeira levou o Partido Liberal (PL) a acionar o Supremo Tribunal Federal (STF) para questionar a gestão fiscal da atual gestão, que inicia o ano eleitoral com uma reprovação de 57%, segundo dados do PoderData.

Indústria brasileira recua com juros altos e governo enfrenta desafios fiscais e políticos em 2026
O Globo

No Judiciário, o STF formou maioria para classificar o caixa 2 como crime eleitoral e ato de improbidade administrativa, endurecendo as regras para os pleitos municipais. No setor financeiro, a expectativa é de uma queda de quase 10% no lucro dos grandes bancos, puxada pelo desempenho do Banco do Brasil. Apesar disso, novas modalidades como a portabilidade de crédito via Open Finance entram em operação para estimular a competitividade. Em outra frente, a Polícia Federal segue executando prisões relacionadas aos atos de 8 de janeiro, incluindo foragidos recentemente deportados dos Estados Unidos, mantendo a segurança pública como a principal preocupação dos brasileiros.

O setor de óleo e gás também apresenta movimentações relevantes, com a Petrobras elevando suas reservas para 12,1 bilhões de barris, embora tenha sido autuada pelo Ibama em R$ 2,5 milhões por um vazamento na Foz do Amazonas. Na esfera social, o assassinato do cão Orelha em Santa Catarina motivou manifestações na Avenida Paulista, em São Paulo, onde dezenas de pessoas pediram por justiça e responsabilização penal contra agressores de animais. O ato aconteceu em um domingo de grande circulação, chamando a atenção para a violência e a necessidade de penas mais rígidas no país.

Para os próximos meses, o mercado aguarda a sinalização do Banco Central sobre um possível ciclo de cortes nos juros em março, o que poderia aliviar a pressão sobre a indústria e o varejo. Paralelamente, o governo tenta mitigar fraudes bancárias com novas tecnologias e organizar leilões de imóveis dos Correios, com meta de arrecadar R$ 1,5 bilhão até dezembro. Com a proximidade do Carnaval, que em cidades como São Paulo é considerado ponto facultativo, a atenção se volta para o equilíbrio entre a tentativa de recuperação econômica e os desdobramentos das decisões fiscais pendentes no Congresso e no Judiciário.

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