A adoção de inteligência artificial nas empresas industriais brasileiras registrou um salto significativo nos últimos dois anos, mais que dobrando sua presença no setor. Dados da Pesquisa de Inovação Semestral, divulgada pelo IBGE, revelam que o uso dessa tecnologia passou de 17% em 2022 para cerca de 42% no primeiro semestre de 2024. Esse avanço é impulsionado principalmente pela popularização das inteligências artificiais generativas e pela necessidade das organizações em aumentar a produtividade diante de um cenário de escassez de mão de obra e mudanças demográficas no país. O crescimento reflete uma tendência mais ampla de digitalização, onde a computação em nuvem ainda lidera como a ferramenta mais difundida, presente em 77,2% das empresas, seguida pela internet das coisas e pela robótica. Conforme explicou Flávio Peixoto, gerente de pesquisas do IBGE, o amadurecimento das empresas sobre como aplicar essas inovações no cotidiano tem sido fundamental para os ganhos de eficiência, relatados por 90,3% dos estabelecimentos que utilizam tecnologias avançadas. Apesar do entusiasmo técnico, a transição para modelos automatizados gera debates sobre a valorização do capital humano. Enquanto gestores buscam a hiperautomação para otimizar custos e maximizar retornos, especialistas alertam para a necessidade de equilibrar o progresso tecnológico com o bem-estar dos colaboradores. Há uma percepção dual no mercado: 70% dos profissionais identificam tarefas que poderiam ser automatizadas, mas o receio de substituição de postos de trabalho e a falta de capacitação ainda figuram como barreiras que freiam uma implementação mais profunda em setores como o jurídico e o de recursos humanos. As áreas de administração, comercialização e desenvolvimento de projetos são as que mais concentram o uso de inteligência artificial atualmente. No campo financeiro e operacional, a tendência aponta para o surgimento de agentes autônomos capazes de gerenciar fluxos de caixa e investimentos de forma independente, integrando-se a diferentes sistemas via APIs. Esse modelo propõe uma mudança na própria contratação de tecnologia, onde o pagamento pode deixar de ser por licença de uso e passar a ser baseado no impacto concreto e nos resultados gerados para o negócio. O impacto esperado é uma elevação de mais de 20% na produtividade nos próximos cinco anos para a maioria das companhias brasileiras. Com a pirâmide etária do país em processo de inversão, a automação deixa de ser uma escolha estratégica para se tornar uma necessidade de sobrevivência operacional. Para sustentar esse crescimento, 79,3% dos empresários pretendem elevar seus investimentos em tecnologia em pelo menos 20% no curto prazo, focando em pilares como cultura de dados, agilidade organizacional e foco no cliente. O desafio imediato reside na estruturação de governança e na superação do estágio inicial de adoção, visto que 72% das empresas brasileiras ainda dão os primeiros passos na implementação estratégica da inteligência artificial. Segundo Cláudio Vasques, CEO da Brazil Panels, o objetivo agora é transformar o interesse em estratégia concreta. O sucesso futuro dependerá da capacidade das lideranças em converter o potencial tecnológico em valor tangível, garantindo que a inovação não negligencie as necessidades humanas e a sustentabilidade do ambiente de trabalho em um mercado cada vez mais orientado por resultados.
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Uso de inteligência artificial dobra nas indústrias brasileiras e foca em produtividade
Fonte(s): InfoMoney, Brasil Escola, Exame, G1, Agência Brasil
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