Tecnologia

Empresas brasileiras investem R$ 325 bilhões em tecnologia para elevar produtividade e eficiência estratégica

Fonte(s): g1, Brasil Escola, CartaCapital, Revista PEGN, Jovem Pan 2 leituras
Empresas brasileiras investem R$ 325 bilhões em tecnologia para elevar produtividade e eficiência estratégica
Jeff Winter

As empresas brasileiras movimentaram cerca de 325 bilhões de reais em tecnologia da informação em 2024, posicionando o país na décima colocação do ranking global de investimentos no setor. Esse aporte financeiro massivo reflete a busca por produtividade e a necessidade de automatizar fluxos de trabalho rotineiros para garantir que equipes tenham acesso facilitado a tarefas colaborativas e prazos definidos. A tecnologia tem se tornado a principal aliada para reduzir o microgerenciamento e aumentar a autonomia dos colaboradores, especialmente em modelos de trabalho híbrido ou home office, onde a interação digital coordenada substitui a supervisão presencial constante.

O aprofundamento da digitalização permite que grandes companhias como Vale, Ipiranga e Alpargatas alcancem reduções significativas de custos, que variam entre 40% e 70% em setores como telecomunicações e tecnologia. A adoção de ferramentas de gestão digital transforma contratos em ativos estratégicos, oferecendo visibilidade sobre compromissos, obrigações e prazos que antes ficavam dispersos em planilhas ou plataformas fragmentadas. Quando bem implementadas, essas soluções não apenas economizam recursos, mas fortalecem as práticas de compliance e auditoria, garantindo que a base operacional suporte projetos digitais mais robustos e ambiciosos.

Entretanto, especialistas alertam para a chamada síndrome da joia, que ocorre quando uma organização adota inovações apenas por estarem na moda, sem mapear os gargalos reais do negócio. Conforme explica Kenneth Corrêa, professor da FGV, contratar ferramentas isoladas sem entender o propósito do processo resulta apenas na automação da confusão, transformando a tecnologia em um acessório de luxo sem impacto na rotina. Além disso, existe o desafio de equilibrar o avanço tecnológico com a valorização do capital humano. A inovação deve ocorrer de forma a não negligenciar o bem-estar dos funcionários, buscando uma abordagem centrada nas pessoas para manter um ambiente de trabalho sustentável.

Empresas brasileiras investem R$ 325 bilhões em tecnologia para elevar produtividade e eficiência estratégica
Brian Solis

Dados da Associação Brasileira das Empresas de Software indicam que, apesar do alto investimento em nuvem e inteligência artificial, muitas companhias ainda falham na governança básica de seus próprios contratos e licenças. O desperdício financeiro é comum, com empresas utilizando menos da metade das funcionalidades das plataformas contratadas. Segundo Marcos Custódio, especialista em arquitetura digital de negócios, é possível reduzir os gastos tecnológicos em até 30% apenas reorganizando o uso das ferramentas já existentes e ajustando os planos às necessidades reais de cada área, evitando a sobreposição de sistemas que não se comunicam entre si.

O impacto prático dessa transformação é a mudança do papel da TI, que deixa de ser um setor de suporte para atuar como agente estratégico central. Plataformas de Business Intelligence e CRMs inteligentes agora permitem que decisões sejam tomadas com base em dados em tempo real, eliminando a dependência da intuição em mercados que reagem instantaneamente a mudanças geopolíticas. A integração sistêmica é decisiva para evitar retrabalhos e inconsistências, garantindo que a inteligência de dados seja democratizada dentro da empresa e permitindo que colaboradores gerem correlações complexas sem a necessidade de serem cientistas de dados.

Nos próximos anos, a tendência é que a gestão contratual e a orquestração de processos ganhem ainda mais prioridade nas estratégias corporativas frente às pressões por transparência e governança. O sucesso das organizações dependerá da capacidade de promover uma mudança cultural profunda, superando mentalidades analógicas que ainda persistem em ambientes equipados com softwares modernos. O foco deve se deslocar da simples aquisição de ferramentas para uma agenda estratégica de médio e longo prazos, onde a tecnologia traciona o crescimento sustentável e a eficiência operacional de forma integrada ao desenvolvimento das equipes.

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